14/02/2012
Candidatos criticam postura da Fundação Carlos Chagas
Pouco mais de três semanas. Quase um
mês. Exatos 22 dias. Este é o prazo determinado pela Fundação Carlos
Chagas para divulgar o gabarito preliminar das provas objetivas do
concurso do INSS, a contar da data de aplicação das mesmas, no último
domingo, 12 de fevereiro. O anúncio de que as respostas da banca só
serão liberadas a partir das 14h do dia 5 de março foi feito de forma
oficial no site da própria FCC. E gerou protestos e queixas de boa parte
dos mais de 900 mil inscritos na disputa pelas 1.500 vagas de técnico e
375 vagas de médico perito do Instituto Nacional do Seguro Social, que
não entendem a razão de tanta demora na liberação do material.
"Gabarito só no dia 5 de março? Que absurdo!!! A FCC está ficando cada
vez mais ridícula. Mil vezes o CESPE/UNB, que não tem essa enrolação",
postou um leitor no site da FOLHA DIRIGIDA. Ainda segundo a divulgação
feita no site da FCC, no mesmo dia 5 de março serão divulgadas as
questões aplicadas aos concorrentes de ambos os cargos do INSS - bem
como o resultado preliminar das provas objetivas. Os recursos sobre a
divulgação das provas, dos gabaritos e dos resultados das Provas
Objetivas e Títulos deverão ser interpostos nos dias 6 e 7 de março, no
site da Fundação.
Centenas de candidatos do concurso
utilizaram as redes sociais, como o Facebook da FOLHA DIRIGIDA, para
protestarem contra o calendário de atividades divulgado pelo FCC. "Não
deixar sair com o caderno acho mais do que normal. Não é a única
organizadora a fazer isso... Mas não disponibilizar a prova no site e o
gabarito em até 48 horas é, no mínimo, falta de respeito!", reclamou
Mari Ribeiro. O mesmo tom de queixa foi adotado por Carla Meneses: "Isso
é uma falta de respeito, pois uma vez não disponibilizado o caderno, o
gabarito deveria ser divulgado de imediato. Vamos ficar na expectativa
até março? Decepcionante...".
Para Pedro Antonio Simões, a demora na
divulgação pública das questões da prova e dos gabaritos preliminares
pode gerar suspeitas sobre a transparência do processo seletivo, além de
aumentar a angústia dos candidatos, que continuam sem parâmetros para
avaliar seu desempenho na prova. "A minha pergunta é: a quem interessa
este atraso e o porquê disso estar ocorrendo? Isso quebra uma tradição
da FCC e é falta de transparência...", pontuou ele.
O edital oficial do concurso não
previa data de divulgação dos gabaritos preliminares - apenas apontava
que a mesma seria anunciada na segunda, 13 de fevereiro, dia seguinte à
aplicação dos exames. Contudo, Mauro Luciano Hauschild, presidente do
INSS, chegou a anunciar, via twitter, em dezembro de 2011, que o
resultado do concurso estava previsto para 5 de março, conforme consta
do edital.
Com a informação, divulgada hoje pela
FCC, de que nesta data serão liberados os gabaritos preliminares - com
posterior abertura de prazo para recursos - o temor dos candidatos é de
que o cronograma inicial da seleção não seja cumprido. E que, assim,
haja atraso no resultado final. A expectativa do próprio Hauschild, em
entrevista concedida à FOLHA DIRIGIDA, era de que a primeira cerimônia
de posse de convocados deste concurso fosse realizada já em 27 de março.
Professores também condenam decisão
A decisão da Fundação Carlos Chagas de
somente divulgar os gabaritos preliminares do INSS no dia 5 de março
também desagradou em cheio a professores que atuaram na preparação de
candidatos para o concurso. De acordo com o professor de Raciocínio
Lógico, Alexandre Portela, do curso Degrau Cultural, essa atitude da FCC
é um absurdo e é muito estranha. "Eles nunca fizeram isso! Deve ter
acontecido algo de errado. Será que o equipamento de leitura óptica
quebrou? Será que encontraram algum erro na prova? Ou será que eles não
fizeram o gabarito ainda?". Na opinião do professor, todo caderno deve
ser liberado ao fim da prova, pois sem a liberação, a organizadora
retira o direito do candidato de reivindicar algo que esteja errado.
"Não há uma explicação cabível!", disse Alexandre.
O diretor e professor de Língua Portuguesa do Curso Plá, Lincoln Moura,
leciona para turmas de concurso público há mais de dez anos e disse que
"tal atitude acarreta desconfiança quanto à legitimidade do resultado. É
um tanto incomum o gabarito de um concurso ser divulgado depois de três
semanas. Deveria existir uma lei que determinasse não só o prazo exato
para divulgação de gabaritos, mas sim, todas etapas do cronograma, uma
vez que todo processo seletivo deve ser feito às claras. Foi uma grande
surpresa quando a Fundação Carlos Chagas anunciou a organização de três
grandes concursos (INSS, TJ-RJ e TRF-RJ/ES). Os dois últimos acontecerão
no fim de março. É uma situação que deveria ser esclarecida."
Fonte: Folha Dirigida